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Poderíamos dizer que o cão amarelo passa a surgir em determinado momento, mas esse momento parece não se dar a ver, a não ser pela efetuação de tarefas por ele assumidas. Então, para falar do cão amarelo, teremos de circunscrevê-lo a certas atividades sem nunca estar falando dele mesmo. Ainda assim, ao falar nisso, seremos atacados por certo anacronismo deliberado, toda e qualquer cronologia seria uma invenção que não nos cabe. Pois, comecemos: desde já, o cão amarelo é um Bureau de Investigação do tipo detetivesco, talvez. As atividades a ele concernentes são atravessadas pelas nossas atividades, tudo isso para dizer que o cão amarelo não passa de uma invenção para impessoalizar aquilo que fazemos. Diluir nossos nomes numa espécie de jargão do tipo institucional, sem chegar a ser uma instituição.
O cão amarelo funciona, aliás, criamos funções para o cão amarelo, ou seja, fazemos com que, de algum modo, funcione. Na medida de nossas necessidades projetamos essa maquinaria não-institucional para funcionar. Por meio de projetos elaboramos certas cenas visíveis, efetuações de nossas atividades projetadas. Nessas cenas temos cursos, publicações, performances, um vídeo, ensaios fotográficos. Mas, o Bureau funciona, assim com esse nome, desde 2005, estamos sempre provocando algo como: contra-efetuações, inoperâncias que nos lançam a novos projetos e o cão amarelo passa a ser vitrine e motivo para a atualização de nossos interesses.
Elegemos a multiplicidade, mas nossos limites nos mantêm em certa geografia de atuação. Como o cão amarelo funciona como um mata-borrão de nós mesmos, devemos falar de nós. Letícia Testa atua no que poderíamos denominar “dança e pensamento”, sua produção textual ou plástica versa sobre temas que tem a filosofia e a dança como formas de expressão para a atenção de seu pensar. Máximo Lamela Adó mistura vários códigos; faz com que as áreas em que atuou ou atua atravessem o seu fazer. Maria Azeviche interage com códigos que não são distintos dela mesma e Miguelito José é assertivamente voluntarioso, de modo a fazer-se presente em todo ato que reivindica. |
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